Thierry Mugler vestido robot

Alaïa & Mugler: a força de uma parceria criativa!

Azzedine Alaïa e Thierry Mugler encontraram um no outro mais do que uma afinidade criativa: compartilharam uma amizade rara que atravessou décadas e transformou a moda. E se o que mais nos inspira na moda de Azzedine Alaïa e Thierry Mugler não for a estética, mas a maneira como eles se apoiaram em silêncio?

Desde que comecei a lecionar em Paris, descobri que a cidade tem um jeito sutil, quase imperceptível, de nos fazer mudar de perspectiva. Estilistas com os quais eu pouco me identificava começaram a se revelar sob novas luzes. Aconteceu com Azzedine Alaïa e Thierry Mugler. 

Nomes que antes me pareciam distantes ou excessivos começaram a ganhar camadas inesperadas. Azzedine Alaïa e Thierry Mugler foram dois deles. O que me surpreendeu não foi apenas o legado estético de cada um, mas a relação silenciosa e generosa que os unia.

A exposição “Azzedine Alaïa – Thierry Mugler / 1980-1990”, em cartaz na Fondation Azzedine Alaïa até o fim de agosto de 2025, revela justamente isso: os bastidores de uma amizade que atravessou duas décadas e redefiniu o diálogo entre forma e desejo, técnica e imaginação.

Se por fora pareciam opostos (o minimalismo escultural de Alaïa contra o futurismo performático de Mugler) por dentro havia um entendimento profundo sobre o corpo feminino e a liberdade criativa.

Thierry Mugler chegou a dizer que, após conhecer Alaïa, suas criações se tornaram mais reais, mais conectadas ao conforto do corpo. Ao mesmo tempo, o estilista tunisiano se sentiu encorajado a explorar volumes e curvas com mais ousadia, libertando-se das limitações autoimpostas. Segundo a Vogue Italia, foi Mugler quem primeiro acreditou no alcance e no potencial da Maison Alaïa, e fez questão de mostrá-lo ao mundo.

No início dos anos 1980, quando o ateliê de Alaïa ainda ocupava discretamente um imóvel na Rue de Bellechasse, Mugler apareceu por lá em sua bicicleta habitual, trazendo consigo algumas das jornalistas de moda mais influentes da época. Francine Crescent, da Vogue France, além de nomes da Stern e do New York Times, participaram de um almoço que teria o poder de mudar o rumo de uma carreira.

Pouco tempo depois, em 1982, veio o convite da Bergdorf Goodman para um desfile em Nova York. Alaïa hesitou. Nunca havia organizado um desfile, não era afeito ao espetáculo. Achou até que fosse uma brincadeira. Mas era real: a convite de Dawn Mello, que havia notado seu trabalho nas imagens de Bill Cunningham para o WWD, a proposta era séria. 

Mugler entrou em cena novamente — cuidou da cenografia, orientou o amigo nas entrevistas e até traduziu suas falas para o inglês. A estreia foi registrada por Elsa Klensch, da CNN, e teve público estrelado, incluindo Paloma Picasso e Andrée Putman. Andy Warhol ficou responsável pelas fotos.

Para além da passarela, havia também os verões.

Passados juntos na Tunísia, entre os terraços brancos de Sidi Bou Saïd e os jardins perfumados de Hammamet, entre encontros com Latifah Ben Abdallah e Leila Menchari, e conversas sem pressa, Mugler mostrava suas coleções inéditas a Alaïa, confiando em seu olhar como quem confia em si mesmo. Zuleika, sua musa de longa data, e Mirabelle, sua fiel colaboradora, chegaram a se integrar ao círculo íntimo da Maison Alaïa.

Não era apenas uma troca profissional. Era uma afinidade que se manifestava nas linhas das roupas e também nos silêncios entre os gestos. Juntos, os dois reinventaram a ideia de uma mulher poderosa: marcada por ombros imponentes, cinturas acentuadas, curvas arquitetadas com precisão e sensualidade. Uma visão de feminilidade que flutuava entre o divino e o terreno.

Obcecado por moda e colecionador minucioso, Alaïa guardava mais de duzentas criações de Mugler em seu acervo pessoal. Quarenta delas integram a mostra atual — muitas nunca haviam sido vistas pelo público.

Registros dessa amizade são raros: algumas imagens em noites parisienses no Les Bains Douches, uma foto durante as férias na Tunísia.

Mas o que realmente definiu a relação entre os dois não cabe numa fotografia. Era uma espécie de aliança tácita, feita de respeito e admiração.

Alaïa havia chegado a Paris em 1956, vindo de Túnis, com mãos hábeis e pouco alarde. Trabalhou para grandes nomes, criou o protótipo do célebre vestido Mondrian de Yves Saint Laurent e, discretamente, foi moldando seu universo.

Ele conheceu Mugler em 1979, quando foi convidado a desenvolver smokings para uma coleção de inverno. O resultado foi tão bem-sucedido que Mugler, em um gesto raro ainda hoje, fez questão de agradecê-lo publicamente no comunicado de imprensa da coleção.

Em entrevista à jornalista Laurence Benaïm, em 2020, Mugler descreveu Alaïa como um “provocador mágico, com um olhar aguçado e uma técnica imbatível”. E acrescentou: “Fotografei suas roupas ao redor do mundo, até no deserto e no topo do Chrysler Building. Ele era tímido, ambicioso e, ao mesmo tempo, dotado de uma autoridade quase mística.”

No fim, o que sustenta essa história não é apenas a estética, mas a ética. Uma generosidade rara, uma gratidão silenciosa, uma forma de fazer moda que ainda resiste ao tempo e à pressa do mundo.

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