Dolce & Gabbana transforma os Fóruns Romanos, em Roma, em passarela da alta-costura de 2025, inspirada na Antiguidade e no glamour da Dolce Vita.
É difícil imaginar os Fóruns Imperiais—no coração de Roma—mais glamorosos do que foram durante o desfile da Alta Moda da Dolce & Gabbana, apresentado à luz do crepúsculo no Fórum Romano, ao longo da Via Sacra, sob o olhar das ruínas ancestrais.
O desfile transformou o cenário em passarela, misturando alta-costura com o glamour do cinema italiano clássico. Elementos cênicos, como figuras vestidas com trajes de centuriões, virgens vestais, liras e imperadores, criaram um espetáculo visual digno de Fellini – mais Satyricon do que La Dolce Vita, segundo a Vogue.
A coleção foi uma ode à Roma Antiga e às legendárias casas de alfaiataria romanas, que vestiam estrelas durante a Dolce Vita.
Peças como corsets em latão dourado remetiam a armaduras, enquanto drapeados lembravam esculturas clássicas. Imperdível foi o casaco que reproduz a Fontana di Trevi, feito com a técnica de intarsia e camadas fluidas de chiffon em tons aquáticos.
Outros destaques incluíram bordados com bustos de estátuas, moedas antigas e referências a monumentos como Pantheon e Colosseo, além de mantos centuriões dourados e imagens pontuais da Fontana di Trevi .
A alta-costura dialogou ainda com o cinema dos anos 50 e 60. Silhuetas tipo ampulheta e looks plissados evocaram o estilo da Cinecittà clássica, enquanto capes vaporosas ecoaram o glamour de Elizabeth Taylor como Cleópatra.
Domenico Dolce, presente na primeira fila, fez o trajeto sozinho — Stefano Gabbana esteve ausente por motivos familiares— tornando-se, ele próprio, personagem de sua criação e testemunha de seu próprio legado. Ao final, ele reafirmou que “estas pessoas têm uma visão sobre a beleza”, enquanto recebia aplausos de celebridades como Cher, Christian Bale, Erling Haaland e Isabella Rossellini.
O evento reuniu cerca de 450 clientes exclusivos de todo o mundo, muitos dos quais faziam pedidos durante o desfile — um testemunho do poder comercial que a Dolce & Gabbana exerce ao fundir moda, história e espetáculo.
Como vimos no nosso observatório de tendências, a marca levou ao limite a ideia de “passarela entre ruínas”, onde alta-costura, cinema clássico, mitologia e técnica artesanal romana se encontraram. O resultado foi um espetáculo visual — teatral, opulento, profundamente romano — que celebrou tanto o passado quanto a modernidade do Caput Mundi.
