Desfile Chanel em Nova York

I love Nova York: underground, by Chanel

Para sua segunda coleção à frente da Chanel, Matthieu Blazy decidiu inverter expectativas: em vez de um cenário palaciano ou de um set cinematográfico, levou a maison para um dos símbolos mais democráticos de Nova York — o metrô.

A noite começou com uma imagem improvável: convidados em looks Chanel, vindos de SUVs impecáveis, dirigindo-se para uma antiga estação desativada no centro de Manhattan.

Sob tendas improvisadas, celebridades, clientes e insiders cruzavam a entrada enferrujada rumo ao subsolo, onde Blazy instalou o palco da temporada. Um contraste calculado: luxo absoluto em um lugar historicamente marcado pelo fluxo anônimo da cidade.

O público reunia figuras icônicas, e vê-las circular entre colunas de concreto, trilhos e painéis desgastados criava um choque visual irresistível — um encontro entre a aura Chanel e a crueza arquitetônica da cidade. Para quem vive em Nova York, a cena era inusitada, mas curiosamente familiar: o metrô sempre foi um palco natural para o improvável.

A coleção reforçava o propósito de Blazy: resgatar a elegância da maison para o cotidiano contemporâneo. As convidadas vestindo seus novos looks já deixavam isso claro — glamour aplicado ao dia a dia, sem excessos teatrais. Ainda assim, pequenas provocações ecoavam a irreverência histórica da casa: duplas em looks coordenados, acessórios luminosos e texturas que brincavam com a ideia de fantasia.

O momento decisivo veio quando um trem entrou na estação, iluminando o espaço como se fosse parte do desfile. Das portas, as modelos surgiram como personagens em trânsito — mulheres que incorporam a elegância da Chanel sem abrir mão da vida real. 

Nas peças, em interpretações surpreendentes, surgiam chiffon com aparência de denim, bouclé moldado como camisa utilitária, saias em volumes esculturais com estampas animais e até um casaco de tweed com a imagem reinterpretada de um pôster de cinema dos anos 1930 — referência direta a uma das passagens de Coco Chanel pelos EUA.

A coleção costurava memórias da fundadora sem cair na reverência óbvia. Havia ecos dos anos art déco, reinterpretações de técnicas desenvolvidas com a Maison Lesage — um ateliê francês de alta-costura com mais de 100 anos de história, atualmente pertencente à Chanel — e um retorno às estampas selvagens que Coco Chanel tanto apreciava.

Mas tudo colocado em personagens reconhecíveis da Nova York atual: a socialite que mistura plumas com slip dress; a editora que sobrepõe jeans e bordados; a galerista de bairro que transforma o tailleur de tweed em uniforme; a executiva minimalista que encontra no tricô camel uma nova forma de poder silencioso. A acessorização reforçava essa naturalidade: totes amplas, casacos pendurados e bolsas usadas em camadas, como na vida real.

A trilha sonora era um capítulo à parte — um mosaico pop e cinematográfico que ia de The Hours (filme de 2002, com uma trilha emocionalmente profunda) a Natalie Imbruglia (cantora pop australiana dos anos 90), costurando humor, emoção e um toque de nostalgia.

Blazy explicou que o metrô foi uma escolha emocional: durante o tempo em que viveu na cidade, observando passageiros anônimos, ele encontrava ideias sobre estilo, personalidade, códigos silenciosos. “O metrô é o lugar onde tudo se mistura”, disse. “Ele pertence a todos.”

E é isso que sua Chanel parece querer comunicar: não que o luxo seja acessível, mas que a inspiração pode ser.

Blazy recupera um episódio da vida de Coco Chanel — quando ela percebeu nas ruas de Nova York versões espontâneas de seu estilo. Aquilo redefiniu o olhar da Chanel e tornou suas criações mais práticas, mais universais.

No desfile, essa ideia se traduziu numa estética cinematográfica: realista, porém ampliada o suficiente para ser lembrada. Porque, no fim, a missão de um Métiers d’Art não é vender peças específicas, mas oferecer uma direção de estilo. O que a Chanel propõe agora é liberdade: tweed com jeans, bordados com T-shirts, vestidos de gala combinados a básicos irreverentes.

A etapa atual da maison mostra um equilíbrio raro: mantém a fantasia, mas coloca o guarda-roupa no centro da conversa. Blazy constrói uma Chanel do deslocamento, da jornada, da vida em movimento — fiel ao espírito original de Coco Chanel, que sempre buscou vestir mulheres reais, com compromissos reais.

E, nesta temporada, ele deixou claro: Chanel continua a ser um sonho, mas um sonho que caminha, corre, embarca e desembarca — sempre com estilo.

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