A abordagem “see now, buy now” da Gucci para a primeira coleção do estilista Demna Gvasalia já está mostrando sinais de sucesso.
Como vimos no nosso Observatório de Tendências, Demna roubou a cena na última Semana de Moda de Milão, ao antecipar, nas redes sociais, as imagens de sua primeira coleção para a Gucci — e, detalhe: um dia antes do desfile oficial.
O gesto, encenado como uma verdadeira première cinematográfica repleta de estrelas, marcou um movimento ousado e, digamos, pouco comum nas Semanas de Moda.
No dia seguinte, a Gucci, mais uma vez, desafiou convenções ao disponibilizar imediatamente as peças do desfile em dez lojas flagship.
As grandes maisons de luxo, geralmente, seguem um calendário rígido, apresentando coleções meses antes de as peças chegarem às lojas.
O sucesso inicial da coleção de Demna marca um passo decisivo na revitalização da Gucci.
Com uma estratégia ousada, a maison aposta em um novo ritmo: reduzir o tempo entre o desfile e a chegada das peças às lojas — uma abordagem rara no luxo, vista, até então, apenas em nomes como Jacquemus e Burberry. O teste comercial relâmpago, no entanto, faz total sentido.
Depois da saída de Sabato De Sarno, em fevereiro, a Gucci precisava aproveitar a energia de um novo começo e a atenção global que vem junto com ele para alavancar as vendas e melhorar os resultados operacionais, que vinham sendo ruins.
Na Avenue Montaigne, em Paris — uma das três boutiques que receberam a coleção na Europa —, os vendedores confirmam: há meses não se via tanto movimento.
A nova coleção, que chega globalmente em janeiro, mostra para onde a Gucci quer ir: conquistar uma nova geração — jovens que amam moda, mas que se afastaram do luxo por causa dos preços surreais e da incerteza econômica.
Na Avenue Montaigne, em Paris, uma das três boutiques que receberam a coleção na Europa, os vendedores confirmam: há meses não se via tanto movimento.
De fato, com o mercado de luxo desacelerando, as marcas entendem que precisam se reconectar com esse público — aquele que alimentou o hype do setor antes dos reajustes voltados aos super-ricos.
Os novos modelos assinados por Demna parecem ter esse propósito: ampliar o alcance da Gucci sem perder a aura de desejo.
Na loja de Paris, uma cena resume tudo: a icônica bolsa Jackie surge em versão mini e mais acessível, posicionada estrategicamente perto do caixa.
Demna assume a direção da Gucci em meio a um verdadeiro “reset” da moda — com novos nomes em cargos de direção também na Chanel, Balenciaga, Dior e Loewe —, todos tentando redefinir o que significa ser relevante hoje.
Enquanto gigantes como a LVMH criam megaprojetos — como a boutique Louis Vuitton em forma de transatlântico no coração de Xangai —, a Kering, proprietária da Gucci, precisa equilibrar estratégia com contenção.
Na China, o desfile de estreia de Demna em Milão virou evento exclusivo, transmitido em tempo real para Pequim, com estrelas locais e um buzz instantâneo nas redes.
A Gucci voltou a ser o assunto do momento.
Agora, a pergunta é: esse novo burburinho vai se traduzir em resultados ou será apenas mais um brilho fugaz no feed da moda?
