A Balenciaga apresentou sua coleção Fall/Winter 2026 em um desfile que reafirma, com clareza, o caminho que a maison vem construindo sob a direção criativa de Pierpaolo Piccioli.
O desfile aconteceu em um espaço fechado transformado por uma cenografia audiovisual imersiva. Telas monumentais envolveram o público, criando uma atmosfera quase cinematográfica, onde moda e narrativa caminharam juntas.
A coleção: peso, proteção e humanidade
Na coleção, as peças exploraram volumes amplos, casacos estruturados, parkas densas, sobreposições e silhuetas que sugerem abrigo, físico e emocional.
Os tecidos, encorpados e táteis, dialogam com a ideia de proteção. Capuzes, golas altas e camadas reforçam essa sensação de resguardo, enquanto a paleta cromática alterna entre tons intensos e cores primárias, quebrando a sobriedade excessiva sem perder a gravidade.
Há um claro respeito ao legado de Cristóbal Balenciaga na construção das formas e na arquitetura das roupas, mas sem nostalgia literal.
Moda, cinema e emoção no desfile da Balenciaga
Um dos elementos mais comentados do desfile foi a colaboração com Sam Levinson, criador da série Euphoria. Fragmentos visuais da futura quarta temporada da produção foram projetados durante o desfile, ampliando o impacto emocional da apresentação.
A trilha sonora, assinada por Labrinth e Rosalía, reforçou essa atmosfera sensorial, criando um ritmo quase pulsante, onde roupas, imagens e som se fundiram em uma mesma narrativa. O resultado foi um desfile que se aproxima mais de uma experiência artística do que de uma simples apresentação comercial.
Uma Balenciaga em transição consciente
Piccioli reposiciona a Balenciaga em um território mais humano e poético, sem romper com sua força conceitual. Surge agora uma marca que se permite ser emocional, introspectiva e até vulnerável. Trata-se de uma fase de construção, não de ruptura abrupta.
O que fica do desfile
Pierpaolo Piccioli parece determinado a mostrar que a Balenciaga pode ser poderosa, experimental e contemporânea sem perder profundidade.
