Será que uma nova sensualidade invade a Versace com a chegada de Dario Vitale?
Uma linguagem direta, que desembocou na apresentação intimista realizada na Pinacoteca Ambrosiana, convertida para a ocasião em um apartamento milanês, entre quarto, escritório e sala de banho.
Todos os sinais de uma virada para a Maison, pronta para o próximo capítulo.
Um movimento criativo, no pós-Donatella Versace — agora em novo papel dentro da grife —, com a estreia oficial de Dario Vitale. O estilista já havia oferecido um primeiro vislumbre de sua estética em Veneza, quando vestiu Julia Roberts para o festival de cinema.
A isso soma-se à mudança empresarial: a entrada de Versace no grupo Prada, após os anos sob a Capri Holdings.
Os primeiros a testemunhar a nova direção foram cerca de duzentos convidados, diante de cerca de setenta looks.
O conceito de moda sem gênero ou genderless é central, com a promessa de peças produzidas em todos os tamanhos, ultrapassando a lógica das categorias de gênero.
Um casting igualmente transformado: nada de supermodels como antes, mas sim uma comunidade de artistas. Um público que substitui o brilho das celebridades por um outro tipo de narrativa.
E como se traduz essa linguagem estética?
“Uma elegância profundamente italiana, com um impulso irreverente”, declarou a Maison em nota. “O classicismo nobre, com suas virtudes estoicas, e a era dourada da Antiguidade são reverenciados e, ao mesmo tempo, subvertidos. É aqui que repousa o mito Versace, entre grandiosidade mediterrânea, cor, magnificência e arte da Magna Grécia.”
O resultado é um choque entre classicismo e streetwear: denim, couro, metal e seda sobrepostos. Jaquetas de couro remendado, camadas de tricô sobre camisas e camisetas brancas, jeans em listras e lavagens solares, em tons de Miami Beach e do Mediterrâneo.
“O sexo domina, não apenas como estética, mas como atitude, atravessando gestos e silhuetas”, reforça o comunicado. Uma irreverência que remete ao DNA da Maison: tailleurs, camisas estampadas, peças em couro e denim vindas do arquivo, vestidos metálicos icônicos revisitados.
Tudo com um acento de decadência art déco, para quem se permite a curiosidade.
As palavras-chave são claras: sensualidade, um novo classicismo irreverente, o corpo redescoberto. Uma elegância que provoca, uma tradição que se dobra ao subversivo.
A aliança com a Prada, mais do que uma mudança de direção, sugere valores e visões compartilhadas.
A mudança está posta, com a intenção explícita de provocar reações. Uma estética menos imediata, feita de camadas a serem decifradas.
O ponto crucial será entender se essa direção encontrará ressonância na nova fase da marca.
