Poética rural, frescor urbano e elegância provocativa: confira o destaque do desfile masculino de Jacquemus, Hermès, Yohji Yamamoto, Dior e Dries Van Noten na Semana de Moda de Paris SS26.
A Semana de Moda Masculina de Paris Primavera-Verão 2026 trouxe uma diversidade de narrativas visuais que reafirmam a cidade como palco central da moda contemporânea.
Entre tradição, experimentação e emoção, cinco desfiles se destacaram por suas propostas únicas: Jacquemus, Hermès, Yohji Yamamoto, Dior e Dries Van Noten.
Jacquemus encerrou a semana com um desfile masculino impactante no L’Orangerie do Palácio de Versailles.
Em “Le Paysan”, Simon Porte Jacquemus retornou às suas raízes provençais e construiu uma narrativa campestre com toques de sofisticação.
Volumes, rendas delicadas e uma paleta centrada no branco e preto, com acentos de amarelo e azul claro revelaram uma estética que une o campo à cidade. A presença de celebridades e a emoção do estilista ao final confirmam: Jacquemus voltou com força ao calendário oficial e ao centro da atenção.
Em contraste, Hermès apresentou uma coleção marcada pela leveza urbana.
Véronique Nichanian trouxe peças arejadas e técnicas refinadas — como calças em couro com trama de malha e camisas com aberturas sutis — pensadas para um verão parisiense escaldante.
A coleção evocava frescor, com silhuetas amplas e uma elegância despretensiosa. Em meio ao calor real do espaço modernista, Hermès conseguiu manter a sofisticação intacta — quase como um oásis silencioso em meio ao caos da cidade.
Já Yohji Yamamoto ofereceu um desfile masculino impregnado de crítica poética.
Com mensagens estampadas nas roupas e referências à crise climática, o estilista japonês transformou seu espaço em Les Halles num manifesto visual.
Os cortes eram orgânicos, as estampas lembravam vitrais góticos e os acessórios — como sandálias de couro com cordas — reforçavam um imaginário entre o espiritual e o terreno. Aos 81 anos, Yohji segue combinando beleza e rebeldia como poucos.
Jonathan Anderson estreou na Dior com uma coleção masculina SS26 marcada por referências cinematográficas e equilíbrio entre tradição e irreverência.
O desfile masculino da Dior no Hôtel des Invalides foi precedido por um curta-metragem estrelado por Robert Pattinson e apresentou peças como a Bar jacket em tweed, bermudas cargo de estilo origami em moiré técnico preto e sandálias retrô. A paleta de cores combinou tons clássicos do vestuário masculino com nuances sorbet, como rosa e azul claro.
A coleção combinou alfaiataria refinada com elementos da geração Z, como jeans e roupa íntima à mostra. A crítica celebrou o “novo look” sofisticado de Anderson, que ainda prepara as coleções femininas e de alta-costura da Dior.
Por fim, a estreia de Julian Klausner na moda masculina de Dries Van Noten foi uma das surpresas mais vibrantes da temporada.
O jovem diretor criativo reinterpretou o DNA da marca belga com uma ousadia cromática que saltava aos olhos: amarelo canário, fúcsia, vermelho e laranja se combinavam em peças que cruzavam o formal e o casual com naturalidade.
Silhuetas fluídas, tecidos nobres e detalhes preciosos — como as joias criadas criados em parceria com Rie Harui — revelaram um domínio técnico e estético impressionante.
Do imaginário rural idealizado por Jacquemus à opulência urbana de Hermès, passando pela crítica social de Yamamoto e pela ousadia renovadora de Anderson e Klausner, a semana parisiense reafirmou o potencial da moda masculina como veículo de narrativa, identidade e emoção.
