Na Semana de Moda de Milão, dedicada ao prêt-à-porter feminino Primavera-Verão 2026, os holofotes se voltaram para os grandes nomes do Made in Italy.
Depois de Max Mara e Prada, foi a vez de Emporio Armani e Moschino dominarem a cena, reafirmando — com força e estilo — o protagonismo da moda italiana.
Quatro vozes distintas, quatro coleções intensas que souberam equilibrar delicadeza, humor, irreverência artística e pura opulência.
Emporio Armani: um desfile emocionante!
Nos bastidores, Leo Dell’Orco. Quando as luzes se apagaram e as primeiras modelos surgiram com as últimas criações de Giorgio Armani, falecido em 4 de setembro, a sala foi tomada pela nostalgia.
Um instante em suspenso, no qual a presença de “Re Giorgio” parecia pairar no ar.
A coleção imaginada para a linha jovem traduzia um verão doce e leve: tons de areia desbotados pelo sol, peças quase sussurradas e detalhes de inspiração étnica, como sarouel, quimonos, cintos obi, chapéus de ráfia, bolsas nômades e babuches árabes. Conjuntos tipo pijama, casacos de linho, saias longas de algodão ultraleve, tricôs vazados, vestidos de chiffon ou crepe, além de tailleurs com shorts de cetim, compunham um guarda-roupa sofisticado.
Tudo respirava leveza e conforto: jaquetas e tops com aberturas nas costas, calças ora fluidas ora bufantes e, sobretudo, o colete — peça-chave da temporada — reinterpretado em várias versões, incluindo um modelo sensual e profundamente decotado para a noite. Quando cai a escuridão, a mulher Emporio se despe da jaqueta e fica de ombros nus, coberta apenas por uma brassière ou um top-biquíni cravejado de strass.
Prada: o brilho que não se apaga!
Milão continua sendo território de Miuccia Prada e Raf Simons. A coleção reafirmou a força da Casa com looks ousados e impecavelmente executados.
Sutiãs etéreos espreitavam por recortes de vestidos e aventais, compondo uma sensualidade urbana e despreocupada. Saias volumosas em tafetá técnico, modelos balonê e vestidos plissados com inspiração militar desafiaram a silhueta clássica.
A paleta — vibrante em rosa-salmão, laranja, violeta e azul-turquesa — foi tão incisiva quanto a trilha sonora explosiva.
Prada, mais uma vez, se confirma como o epicentro da moda milanesa!
Max Mara: o Rococó minimalista!
Ian Griffiths reinterpretou Maria Antonieta e Madame de Pompadour de forma minimalista, eliminando estampas e deixando a natureza falar por meio das formas.
Trench coats e casacos ajustados vinham adornados com nuvens de chiffon; vestidos de gaze remetiam a pétalas.
Uma coleção elegante, discreta e profundamente sofisticada.
Moschino: tudo que é nada!
“Niente”, ou “nada” em italiano. Assim se chama a sexta coleção de Adrian Appiolaza para Moschino — título estampado, em letras simples, sobre uma camiseta branca.
O estilista parte de uma pergunta: como criar algo novo a partir do quase nada, reaproveitando o que já existe?
A resposta vem com humor, ironia e um mergulho no espírito da Arte Povera italiana dos anos 1960. A reciclagem ganha protagonismo, como nas caixas de presente transformadas em chapéus. Entre patchworks e efeitos trompe-l’œil, surgem vestidos de retalhos, saias feitas de T-shirts comprimidas como telas abstratas e casacos compostos por infinitos retalhos de tecido.
Os acessórios roubam a cena: uma panela de ferro, um balde de praia, um tijolo, uma sacola de papel Kraft com o logo Moschino e a palavra “frágil”. Há ainda uma clutch iluminada por um alegre “Ciao!” em neon rosa e sandálias cobertas de espinhos de borracha colorida.
A paleta neutra evoca cartolina e juta, em looks minimalistas que homenageiam os materiais do movimento artístico. Sacos industriais viram tailleurs refinados e jornais amassados revestem saias e camisas. Um exercício de ironia elevado à categoria de manifesto.
Assim, em Milão, a moda segue em diálogo com o passado e o futuro, consolidando a cidade como palco central da criação contemporânea.
