Com destaque para sustentabilidade, diversidade e design consciente, a Copenhagen Fashion Week reafirma, nesta edição, a sua relevância na moda contemporânea.
A Copenhagen Fashion Week Primavera/Verão 2026 (CPHFW), realizada entre 4 e 8 deste mês de agosto, reuniu uma combinação impactante de nomes consagrados e talentos emergentes, além de revelar um street style vibrante que espalhou o charme escandinavo das passarelas pelas ruas e esquinas de Copenhagen.
A consagrada estilista dinamarquesa Cecilie Bahnsen celebrou os 10 anos de sua marca homônima com um desfile repleto de dramatismo, apresentando volumes exagerados, tecidos reciclados, silhuetas híbridas e brilho disco ball.
Essa celebração foi um dos grandes destaques da temporada, ao lado de desfiles de marcas dinamarquesas e nórdicas já muito conhecidas, como Henrik Vibskov, Marimekko, Rotate e Baum und Pferdgarten, junto a outras que vêm ganhando espaço, como Alis, Han Kjøbenhavn e a Swedish School of Textiles, que representam muito bem o talento emergente na moda escandinava.
A Copenhagen Fashion Week SS26 mostrou que a passarela pode ir muito além do esperado.
O desfile de abertura da OpéraSPORT aconteceu literalmente dentro de uma piscina, combinando estética e conceito de forma inovadora. Inspirada em Seul, a coleção trouxe ainda um surpreendente chinelo 3D, resultado da colaboração com a Havaianas, um encontro criativo entre tecnologia e descontração que chama a atenção e enche de orgulho quem acompanha a moda brasileira.
A Alis, marca criada por dois amigos na cidade livre de Christiania, em 1995, deixou de ser apenas uma voz local para se tornar um movimento nacional e surpreendeu ao encerrar sua apresentação com um gesto simbólico: colocou os modelos para embarcarem em um barco, transformando o final do desfile em uma experiência visual memorável.
Na mesma linha, a Swedish School of Textiles apostou em demonstrações performáticas, reforçando seu papel como um verdadeiro laboratório vivo de ideias para o futuro da moda; já a Han Kjøbenhavn levou à passarela uma coleção inspirada na masculinidade suburbana, misturando faux leather com peças de construção escultórica, criando um visual poderoso e carregado de atitude.
Berner Kühl chamou a atenção com sua alfaiataria minimalista, marcada por cortes precisos e tecidos sustentáveis. Suas peças revelam um equilíbrio refinado entre funcionalidade e estética, trazendo uma sofisticação discreta que dialoga diretamente com as demandas atuais por uma moda atemporal.
Alectra Rothschild apresentou uma coleção que mescla alta-costura subversiva com práticas conscientes de upcycling. A designer explora fortes contrastes ao reinventar materiais reaproveitados em criações que desafiam as normas tradicionais da moda de luxo, incorporando elementos de desconstrução, texturas surpreendentes e uma paleta de cores ousada. Essa abordagem disruptiva reforça seu lugar como uma voz autoral no cenário escandinavo.
Mais uma vez, senti falta da Ganni nesta edição da Copenhagen Fashion Week, marca que acompanho de perto desde que morei em Copenhague e que, como vimos em nosso observatório de tendências, traz um olhar tão atual para a moda contemporânea, além de um senso de comunidade tão necessário neste mundo hiperconectado em que vivemos.
Na verdade, desde a temporada passada, a Ganni decidiu brilhar em um palco ainda maior, estreando suas coleções na Paris Fashion Week em setembro de 2024. É uma ausência que deixa saudade, mas faz todo sentido na trajetória de crescimento e expansão internacional. Embora não tenha desfilado, a Ganni segue presente no evento de um jeito especial: apoiando o programa CPHFW New Talent, como patrona, que oferece apoio financeiro, mentoria e ferramentas para talentos emergentes como Bonnetje, Berner Kühl e Anne Sofie Madsen Studio.
E o street style durante a CPHFW SS26? Foi um verdadeiro espetáculo à parte!
Cheio de criatividade, coragem e originalidade, ele traduzia com perfeição o espírito livre e experimental que move a capital dinamarquesa e inspira quem acompanha a moda por lá.
Nas ruas, as estampas de poás dominaram as composições, aparecendo de forma impactante em saias fluidas, camisas estruturadas e até mesmo em acessórios, conferindo um ar lúdico e, ao mesmo tempo, sofisticado aos looks. As listras marcantes surgiram como outro elemento-chave, criando contrastes visuais fortes e dinâmicos que dialogam com a tradição minimalista escandinava, mas adicionaram um toque contemporâneo e vibrante.
Além das peças, os acessórios expressivos ganharam protagonismo, funcionando como verdadeiros pontos focais nos looks urbanos. No que diz respeito aos calçados, diversidade e versatilidade foram as palavras de ordem. Os chunky sneakers continuam firmes como a escolha predominante, celebrados pela combinação perfeita de conforto e atitude, enquanto os chinelos “fashionizados” chamaram a atenção.
Com destaque para as nossas tão queridas Havaianas!
Na verdade, já faz um tempo que venho reparando que as Havaianas se tornaram presença constante por lá, eu diria que realmente viraram um must-have nas ruas de Copenhague. Sempre me chama a atenção, especialmente por ser um ícone tão nosso aqui do Brasil.
Além das Havaianas, os clogs (tamancos) e as botas robustas também ganharam seu espaço nas ruas de Copenhague. Essas escolhas mostram bem o estilo escandinavo, tudo com aquela pitada autoral que a gente tanto admira.
Para mim, a Copenhagen Fashion Week SS26 reafirmou sua posição como uma plataforma global de moda que sabe equilibrar modernidade e estilo autoral, algo de que tanto falamos em nossas consultorias.
Entre os momentos que mais me marcaram estão as apresentações em espaços surpreendentes, como piscinas e barcos, e, claro, um street style que capturou perfeitamente o espírito contemporâneo do design escandinavo.
